Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Novembro 29 2009

Se eu morrer?

 

Se eu morrer

será voando a cortar o infinito!

Talvez morra de repente, feita bola incandescente

ou morra    só de apetite.

 

Se eu morrer nesta viagem  palpita-me a ansiedade,

fazer Jordânia abordagem, em desertos de miragem

e Petra curiosidade.

 

Se eu morrer não votarei, nesta guerrilha de silvas

onde a vaidade faz lei!

Saem sorrisos amargos, juízos onde já dei

afectos de abraços largos.

 

Se eu morrer toquem trombetas!

Cantem os corvos e pombas

no medir das ampulhetas

No mar liso esqueço as lombas

de estradas alcatroadas

e picar de malaguetas

 

 

Se eu morrer, levo as penas de touras lides de arenas

pegando a vida de caras

Na dança das macarenas, as farpas das bandarilhas

disfarçadas de mantilhas

em crimes de “aves raras”…

 

22/05/2009

Mavilde Lobo Costa

(In Versos brancos com riscas)

 

 

publicado por carmemzita às 21:18
editado por mariaivonevairinho em 02/12/2009 às 12:26

Novembro 28 2009

A vida é barco em viagem

De porto em porto a navegar;

Deixa sonhos em cada paragem

E sonhos volta a carregar.

 

A vida é uma canção de amor,

É um poema de esperança;

É o desabrochar de uma flor,

É um sorriso de criança.

 

A vida é o múltiplo renascer

Da plantinha que floriu;

É o grito da sementinha

Que brotou da terra e sorriu.

 

A vida é ave que passa

Tão rápido que mal se sente;

É a borboleta que esvoaça

Vaidosa, resplandecente.

 

Mas a vida é muito mais,

Também é dor e tristeza;

É o eco dos nossos ais

Numa prece que se reza.

 

A vida é feia e é bela,

É doce e amarga, talvez...

Mas há que saber vivê-la

Pois só se vive uma vez.

 

 

publicado por MARIETA ANTUNES às 23:41

Novembro 28 2009

 

Vimos os barcos, o mar
e o breu de noite tão longa
aspirámos o sal...o mel...
fizemos amor com ternura
e respirámos também
o sabor do nosso encontro;
e hoje que tu te foste
continuo a olhar pro mar
e vejo-te todo inteiro
nas mãos com que me olhavas
o corpo por ti beijado.
Foi a vida que agarrámos
ambos ao mesmo tempo
sintonia que tivemos durante anos
e que ficou até sermos velhos.
 
 
É assim que eu te vejo
e continuarei a encontrar-te
foste à frente eras mais velho
mas eu irei ter contigo
um dia qualquer que vem
devagar ou mais depressa
e sei que tu vais dizer
com a tua voz especial
- Oh és tu, que bom ouvir-te
já sentia a tua falta!
 
 
                    ( À morte do Raúl que nunca será “UM FIM” para mim )
                                    
                                              Ana,
                                                     Oeiras, 9 de Agosto de 2009
 
 
 
publicado por milualves às 13:59
editado por appoetas em 07/04/2010 às 00:37

Novembro 27 2009

Há quem escreva para viver,

Para poder satisfazer

Sua componente material;

Eu escrevo por prazer,

Para poder satisfazer

Minha faceta espiritual.

 

As palavras, as ideias,

Começam a 'florar à minha mente,

Logo depois a fervilhar

Teimosamente,

Sem me deixarem descansar

Até que, finalmente,

Qual parturiente,

Terei de as expulsar

E assim me aliviar...

 

Escrever para mim, é terapia,

Para mim, escrever é paixão,

É encantamento, é magia,

Escrever para mim, é compulsão,

É uma forma de libertação...

 

Escrever é dar vazão,

É deitar à luz do dia

Sentimentos e emoções,

Saudades, frustrações

Presos em asfixia

Que, de outra forma,

Jamais sairiam

E ficariam

Para sempre guardados,

Trancados

No sótão escuro das recordações.

 

Minha escrita não será bela,

Meu estilo não é profundo;

Mas qual a Mãe que não ama,

Que não embala e não vela

E que bonitos não chama

Aos filhos que pôs no mundo?!...

 

 

 

publicado por MARIETA ANTUNES às 22:03

Novembro 25 2009

Mar revolto

 

Bravo  revolto e inquiridor
com sombras negra e vozes sibilinas
cor de vento

 

hoje o mar altivo é um deus senhor
Neptuno ou Zeus
qual ditador
Mussolini, Salazar,
Adamastor
Hoje o mar é bruto,
tenebroso e barulhento!

 

É desgaste de pancadas agressivas
Boca do inferno enraivecida
É arma de matar, violador,
assassino sanguinário
enfurecido

 

Hoje, não há peixes e nem há homens
os barcos ficam nas docas foragidos
com medo das más disposições do mar
que da alma espuma vagas desmedidas

 

 

09/08/09
Mavilde Lobo Costa
(In Escritartes, A Arte pela escrita dois)

publicado por carmemzita às 16:56

Novembro 23 2009

 

Minha modesta contribuição, para o desafio ao poema de "Guerra Junqueiro"
 
*********
 
 
È uma ave de Condor ou anjo naquele céu…
Funde-se nas nuvens que adentram ao léu.
 
Esguio meu olhar, confunde-se com o teu,
E as amarras que envergo aqui no meu eu.
 
São pingos que banham, meus sóis minha escalada,
Onde a tortura humana corrói-me e enfada.
 
Neste paradigma, etérea lágrima desceu,
E beijando meus lábios, de rubro, tremeu.
 
Correu para o rio, correu para o mar e calma,
Fundiu-se co’a maré levando até…minh’alma.
 
Laivos de dor,  ecoam  bem lá muito ao longe,
Couraças imponentes, ou ordens de monge.
 
Do alto da colina, sobrepõem a dor,
Cospem balas, canhões, em nome do Senhor!
 
Copiosa, desce a lágrima no rosto meu,
Desce a escarpa alva e turva, e pura como breu.
 
As teias do ouriço, iludem pessoas
Que alheias a tudo isso, espalham-se, nas boas.
 
E a lágrima de Condor, sem amarras, voou…
Com olhar de esperança, foi e não voltou.
 
Dai-me um porvir de mais Esperança ó meu Senhor!
Deixa-me sorrir…sorrir…num Mundo melhor!
 
Cecília Rodrigues
publicado por Cecilia Rodrigues às 18:13
editado por mariaivonevairinho em 29/11/2009 às 00:24

Novembro 23 2009

SONETO SEM A LETRA O

 

 

CHEGASTE


Chegaste pela tarde, em fim de dia
De chuva, vendaval... de tempestade;
Encheste assim a casa que vazia
Repleta já se achava de saudade


Na rua a densa chuva que caía
Era ela uma balada prá cidade
Ventava nas janelas e batia
Da gente se aquecer... ansiedade!


A cama era vazia e já esperava...
Amar dá um querer que ninguém trava
Bastava desfazê-la e ir deitar


A tarde caiu célere? - Nem vi...
Apenas te sentia, ali, a ti,
Até vir a manhã a despertar.


Joaquim Sustelo

 

publicado por tardesdeoutono às 17:42

Novembro 23 2009

 

 
Deixem-me sonhar
Que a minha vida é um sonho,
Que meu destino é risonho.
Deixem-me sonhar.
Deixem-me sonhar
que nos amamos sem entraves e enganos.
Deixem-me sonhar.
Deixem-me sonhar
que voamos pelo espaço
ternamente num abraço,
Deixem-me sonhar.
Deixem-me sonhar
que só existe felicidade,
que a triste realidade
deste mundo desgraçado
já não pertence ao presente,
mas simplesmente ao passado.
Deixem-me sonhar.
Deixem-me sonhar
que a vida é uma alegre melodia,
que a noite é maravilhosa,
e que é sempre lindo o dia.
Deixem-me sonhar.
Deixem-me sonhar
que o nosso amor não tem fim.
que eu faça parte de ti,
tu faças parte de mim.
 
Deixem-me sonhar!
 
 
2007-11-04
publicado por milualves às 14:11

Novembro 23 2009

 

 
Numa vida imaginária
Eu vagueio solitária
P’las torres do meu castelo.
Vejo bosques verdejantes,
Riachos de água cantantes
Num cenário vasto e belo.
 
Numa vida imaginária
Eu vagueio solitária
Nas salas de lajes frias.
Oiço cantar trovadores
Recordo traições e amores,
Vilezas e cortesias.
 
Numa vida imaginária
Eu vagueio solitária
Junto às ameias antigas.
Vem-me à memória as batalhas,
Os assaltos às muralhas
Pelas hostes inimigas.
 
Numa vida imaginária
Eu vagueio solitária
Cercada de nostalgia.
Fogem as águias reais
Quando escutam os meus ais
Se o desalento me espia.
 
Numa vida imaginária
Eu vagueio solitária
Com a minha fantasia.
Descubro os campos em flor
Só não descubro o amor
P’ra me fazer companhia.
 
Numa vida imaginária
Eu vagueio solitária
 

2001-06-22

publicado por milualves às 13:53

Novembro 23 2009

 

Por estares ausente, senti tantas saudades tuas,
Que me fez escrever com as minhas lágrimas,
O teu nome na areia, com tanto amor e carinho.
Veio uma onda que, juntando as suas lágrimas às minhas,
Levou o teu nome para o fundo do mar,
De mansinho, de mansinho.
Ela te conhecia e se apaixonou por ti.
Não quis que eu sofresse sozinha.
 
Para matar as saudades,
Guardou o teu nome, bem junto de si.
publicado por milualves às 13:33

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
Novembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
13
14

19
20

24
26

30


links
pesquisar
 
Tags

11 poemas inéditos de carlos cardoso luí(1)

25 anos app(11)

ada tavares(18)

adriano augusto da costa filho(39)

albertino galvão(11)

albina dias(18)

alfredo martins guedes(2)

ana luísa jesus(4)

ana patacho(3)

anete ferreira(3)

antónio boavida pinheiro(22)

app(5)

armindo fernandes cardoso(3)

bento tiago laneiro(5)

carlos cardoso luís(13)

carlos moreira da silva(2)

carmo vasconcelos(22)

catarina malanho semedo(2)

cecília rodrigues(48)

cláudia borges(8)

dia da mãe(8)

dia da mulher(9)

dia do pai(6)

donzília martins(8)

edite gil(68)

elisa claro vicêncio(4)

euclides cavaco(100)

feliciana maria reis(4)

fernando ramos(20)

fernando reis costa(3)

filipe papança(11)

frances de azevedo(2)

gabriel gonçalves(14)

glória marreiros(20)

graça patrão(6)

helena paz(15)

isabel gouveia(3)

jenny lopes(11)

joão baptista coelho(1)

joão coelho dos santos(7)

joao francisco da silva(4)

joaquim carvalho(3)

joaquim evónio(9)

joaquim sustelo(70)

judite da conceição higino(4)

landa machado(1)

liliana josué(45)

lina céu(5)

luis da mota filipe(7)

manuel carreira rocha(4)

margarida silva(2)

maria amélia carvalho e almeida(6)

maria clotilde moreira(3)

maria emília azevedo(5)

maria emília venda(6)

maria fatima mendonça(2)

maria francília pinheiro(3)

maria ivone vairinho(14)

maria jacinta pereira(3)

maria joão brito de sousa(69)

maria josé fraqueza(5)

maria lourdes rosa alves(4)

maria luisa afonso(4)

maria vitória afonso(8)

mário matta e silva(20)

mavilde lobo costa(22)

milu alves(6)

natal(16)

odete nazário(1)

paulo brito e abreu(6)

pinhal dias(9)

rui pais(8)

santos zoio(2)

sao tome(10)

susana custódio(15)

tito olívio(17)

vanda paz(23)

virginia branco(13)

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO